Historia da Psicopedagogia no Brasil

No Brasil perdurou durante algum tempo a crença de que os problemas de aprendizagem tinham como causa fatores orgânicos. Podemos verificar essa concepção organicista de “problema de aprendizagem” em vários trabalhos que tratam da questão como “distúrbio”, onde em geral a sua causa é atribuída a uma disfunção do sistema nervoso central. Em 1970, por exemplo, foi amplamente divulgado o trabalho dos brasileiros Antonio Lefèvre (médico) e sua esposa Beatriz Lefèvre (pedagoga). Eles trabalharam com crianças agitadas, que apesar do bom potencial de inteligência, rendiam de modo inadequado nas atividades escolares. Essas crianças que hoje são denominadas com Déficits de Atenção (com e sem hiperatividade) eram consideradas portadoras de Disfunção Cerebral Mínima (D.C.M.).

Devido à proximidade geográfica e ao acesso fácil à literatura (inclusive pela facilidade dos brasileiros compreenderem o espanhol), as idéias dos argentinos muito influenciaram e têm influenciado nossas práticas. O movimento da Psicopedagogia no Brasil remete-nos portanto à Argentina e por conseqüência às influências da França.

A psicopedagogia, tal qual proposta por este movimento é ainda ensinada no Brasil por muitos argentinos, além disso, autores argentinos escreveram os primeiros artigos, resultando dos primeiros esforços no sentido de sistematizar um corpo teórico próprio da psicopedagogia. Vale citar: Sara Paín, Jorge Visca, Alicia Fernández etc.

O famoso psicopedagogo argentino Jorge Visca, recentemente falecido (2000/2001), ao criar a Epistemologia Convergente (Visca 1987) na clínica psicopedagógica, assunto que estudaremos detalhadamente em Psicopedagogia institucional I, fez convergir a Psicanálise de Freud, a Epistemologia Genética de Piaget e a Psicologia Social de Enrique Pichon Riviere, o que causou um grande salto nas práticas psicopedagógicas inclusive em nosso país (Brasil) e que perduram até os dias atuais.